Entrevista com a atleta OCE Campea Carioca 2010 de XCO Manu Vilaseca
Nossa atleta OCE do Rio de Janeiro, Manuela Vilaseca escolheu ficar em seu estado nesse final de semana para disputar o Campeonato Carioca em vez de correr prova valida pelo ranking nacional. A escolha deu muito certo e ela se tornou campeã carioca de MTB XC 2010. Como o estado do Rio de Janeiro e um estado que tem o esporte inserido na alma, e uma legião de ciclistas e triatletas treinando todo dia sem parar, esse resultado se torna mais especial ainda. Confiram a entrevista de nossa atleta para o site bikebros.com.br. Parabens Manu!

Canal Entrevistas / Postado em 06/07/2010 às 20:05 por Redação BikeBros.com.br
Fotos: Hudson Malta / Divugação
Manuela Vilaseca, atleta de resistência integrante da equipe de MTB Merida / SR / Suntour / CatEye esteve no Campeonato Estadual de MTB XCO do Rio de Janeiro, que aconteceu em julho em Barra do Piraí/RJ. Após vencer na Elite Feminina e garantir o título de Campeã Estadual, a simpática atleta conversou conosco sobre sua recente experiência no XCO e falou sobre seus projetos.
BikeBros: Manuela, estamos aqui no Estadual de Cross Country 2010 do RJ, em uma pista inédita. O que você achou deste evento?
Manuela Vilaseca: Eu cheguei aqui ontem no final do dia, para reconhecer o percurso, e me surpreendi! Eu não imaginava que dentro de um hotel fosse possível montar uma pista tão legal, tão técnica e dura. Havia uma subida bastante difícil e longa no meio, e tenho certeza que para todas as categorias foi uma prova dura. Nós, na categoria feminina, demos 4 voltas, e no final eu estava dando graças a Deus por ser a última vez que eu estaria subindo aquela ladeira. Mas foi muito divertido! Apesar da dureza do circuito, ele te dava oportunidade de curtir ao longo da prova. Foi muito legal, a organização está de parabéns. Só ouvi coisas boas dos outros atletas!
BB: Sabemos que o seu foco, claro, são as provas maiores, mas você tem acompanhado os eventos do Rio?
MV: É a primeira vez que eu corro o Estadual no Rio. Abdiquei da Copa Ale, em Belo Horizonte, que é uma prova importante, para vir pra cá. O Estadual, além de também ser importante, eu nunca havia corrido. Pra mim foi muito bom, porque é mais perto de casa, e eu queria ver como era o Campeonato. Tenho certeza que no ano que vem estarei de volta, pois gostei muito.

BB: Nós sabemos que seu forte é a Maratona. Como você se sai em pistas de XCO mais travadas, técnicas e curtas?
MV: Bom, eu venho da Maratona porque fiz muitas provas de aventura, triathlon e provas muito longas. Em 2009 cheguei a fazer provas de até 1000km. No final do ano comecei a voltar minha atenção para o XCO, pois esta é uma modalidade onde eu nunca havia competido. Posso dizer que estou estreando no XCO! Eu o considero um esporte totalmente diferente, pois exige muita velocidade, explosão e técnica, que são exatamente os meus pontos fracos. Assumi isso como um desafio, pois agora quero melhorar minha técnica, largada e explosão. Estou a fim de ir fundo, mas é sofrido! Estou gostando, e independente do resultado, a cada prova eu gosto mais. Pra mim, vencer o Estadual em uma prova rápida e técnica, de 4 voltas, é motivo de muita felicidade.
BB: E com a Merida, quais são os projetos até o fim de 2010?
MV: Bom, as provas de XCO terminam agora em agosto. Quero correr o Brasileiro de MTB, o SR Suntour Short Track, alguns XTerra, o Brasileiro de Maratona e o 12 Horas. Não devo ir ao Iron Biker. A partir de agosto devo me voltar mais para a Maratona, fazendo mais as longas distâncias.
BB: Há algum plano para provas internacionais?
MV: Eu acredito que esse ano não, mas em 2011 vai ter sim. Foi uma meta dentro da equipe, para que eu corresse mais as provas nacionais e estivesse mais presente com a equipe. No ano passado fiquei muito tempo fora. Então, voltei para correr só aqui, mas acho que no ano que vem vou estar mais tempo lá fora. Talvez corra o Mundial de Maratona.
BB: Agora, uma pergunta um tanto polêmica. Em passado recente vimos aquele problema com a CBC e as meninas do MTB, que foram vetadas para o Mundial de MTB. Travamos sempre uma luta danada para colocar mais meninas nas provas regionais, e nem sempre a gente consegue. Como você vê a situação do MTB feminino hoje no Brasil? Que caminho você aponta para amenizar o problema?
MV: Acho que temos um problema grande, pois somos poucas e a verba acaba sendo voltada para a Elite Masculina. Isso, de certa forma, nos desestimula, pois se tivermos as mesmas oportunidades que eles têm de ir para fora, nós vamos correr atrás também. Pra gente é sempre uma ducha de água fria quando não somos convocadas.
É óbvio que o nível internacional é muito mais forte que o nosso, mas temos que dar a cara a tapa em algum momento. Precisamos ir lá pra fora para apanhar e para aprender. Então, não tem como chegar lá fora e disputar de igual pra igual com as gringas, se não temos nem ao menos oportunidade de estar lá fora. Acho fundamental um investimento nisso, pois é importante estar lá, competindo. Evolução é uma coisa que vem ao longo do tempo.
Mas é claro que também temos que mostrar capacidade aqui para que acreditem na gente. Eu não deixo de correr atrás, treino pra caramba, porque quero buscar meu espaço, seja aqui dentro ou em qualquer lugar.Temos que correr atrás de nossos sonhos. Se ele se realizar, maravilha, senão, pelo menos tentamos.