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Ko Aloha La Ea! OCE no Ironman do Havaí 2011

O tema do mundial do Ironman do Havaí esse ano foi Ko Aloha La Ea na língua local. Em inglês se traduz “ Keep your Love” ou seja, mantenha o seu amor.  Além de acompanhar o atleta da OCE e vice-ministro da Indústria e Comércio Exterior do Brasil durante 20 dias antes, durante e depois da competição em Kona, meu objetivo era também aprender mais como treinador, descobrir as novidades em tecnologia de bike e corrida para 2012 e obviamente poder inserir os novos aprendizados na turma da OCE. Desmembrei o percurso de bike de Kona com meu medidor de potência e realizei 20 dias de treinos intensos no calor e umidade arquivando importantes informações no medidor para saber como o corpo reage sobre stress nestas condições específicas.  Por fim ainda ganhei de brinde uma preparação de aclimatação para correr na Brasil Ride.

 


Desde que embarquei para estudar na Flórida nos Estados Unidos com menos de 18 anos de idade tenho buscado incansavelmente aprimorar técnicas de treinamento e fisiologia de performance, alimentação esportiva , psicologia esportiva, tecnologia, lugares e ideias para treinar etc.  Nesse ano viajei para competir e aprender sobre diferentes culturas em 3 diferentes continentes totalizando  6 países e 2 das maiores competições do mundo, o IronMan do Hawaii e a Cape Epic, na África do Sul.  A lição mais importante que obtive esse ano na mística ilha de Kona e do Ironman do Havaí foi Ko Aloha La Ea!  Keep your Love! E quando eu descubro alguma nova peça do quebra cabeça para a performance humana que posso usar comigo passo imediatamente para meus atletas.  Quem treina na OCE e recebe meus emails com certeza notou que, nos últimos dias, tenho mencionado a todos a importância de cada um de nós atletas saber valorizar, saborear e literalmente amar todo o processo e rotina dos treinos e competições, independente do resultado. 

 

O segredo dos grandes atletas


O fenômeno do triathlon mundial Chrissie Wellington antes de chegar em Kona havia vencido 12 Ironmans dos 12 que participou.  Um mês antes do IM em Kona ela teve um acidente e teve sérias lesões que atrapalharam sua preparação para o evento.  Pela primeira vez todos viram Wellington sair bem de traz da água e chegar na transição da bike para a corrida mais de 18min da primeira colocada, a britânica Julie Dibens.  Chrissie teve que se reinventar, pois, acostumada a vitórias esmagadoras, ela teve quer vir de trás e dar muito mais do que sua genética privilegiada.  Sendo a atleta mais bem paga do triathlon mundial (incluindo os homens) e já com 12 vitórias em Ironmans, o que moveria Chrissie a vencer Mirinda Carfrae na maratona? O recorde anterior da maratona era da Mirinda que manteve um pace alucinante nesse IronMan tirando vários segundos da Chrissie a cada milha que se passava. A performance foi tão fenomenal por parte das duas atletas que Chrissie bateu o recorde de maratona até que Mirinda cruzasse a linha de chegada em 2º batendo o recorde da maratona novamente.  Na cerimônia de apresentação Chrissie frizou a importância de fazer com amor o que se faz e foi isso que a moveu a mergulhar nas profundezas da dor como ela nunca tinha feito anteriormente em sua carreira e vencer seu 4º título mundial em Kona e o 13º Ironman.  O que notei em todos os grandes campeões no triathlon, no ciclismo e no mountain bike, e muito desses campeões tive contato direto, competi contra eles ou tive a oportunidade de estudá-los metodicamente nas várias viagens que fiz durante esses 15 anos de trabalho é que todos tem o amor e a paixão de se superarem, de quebrar seus próprios limites.  E é isso que vi em Kona desde a 1a colocada, a britânica Chrissie Wellington até o último colocado que cruzou a linha de chegada a poucos segundos do tempo máximo permitido de 17hrs.

 

Atleta OCE Alessandro Teixeira em paz com os Deuses de Kona


Há 33 anos surgia o Ironman. Uma aposta entre 12 amigos que se transformou em um evento que na minha opinião consagra o atleta fisiológica e psicologicamente mais bem preparado e é ao mesmo tempo uma celebração do espírito humano! Isso porque a ilha de Kona é realmente mágica, repleta de campos de lavas vulcânicas,  com um calor e umidade insuportáveis e um vento  “assassino” que num percurso de bike exige que cada atleta busque em sua alma a superação para alcançar seus objetivos, seja bater o recorde de tempo da prova como Craig Alexander da Austrália fez ou o atleta que corre com duas próteses de perna e ainda sem um braço.  Outro atleta completou a prova de handcycle (como tantos outros atletas) e perdeu as pernas aos 23 anos numa explosão de trem em Praga. Ele acordou 30 dias depois do acidente e só então pode perceber que já não tinha mais as pernas. Vê-lo completar o IronMan do Havaí com a força dos braços é algo muito mais que inspirador, diria que revelador sobre a força do espírito humano que nós constantemente achamos ser bem menos do que realmente é. E entre esses 1800 seres humanos magníficos, nosso atleta Alessandro Teixeira correu 13hrs e 30min imerso numa dor insuportável que ele transformou em suportável para sair de Kona com o título de IRONMAN!  Ser um Ironman é muito difícil, mas uma vez que você é, você será para sempre. 


No total foram 44 brasileiros e tive o orgulho e prazer de acompanhar Alessandro em cada passo no Havaí.  A batalha dele começou com suas responsabilidades no trabalho em que reuniões e viagens constantes nos forçaram a reinventar a cada dia o que poderíamos encaixar de treino nas pouquíssimas horas disponíveis que ele tinha entre as viagens e reuniões. O que motiva esse economista respeitado, que divulga a marca Brasil no exterior, a passar por tanto “perrengue”, tanta dor, tanto sacrifício para fazer uma prova tão dura?  A resposta é Ko Aloha La Ea!  Amor pelo esporte, paixão pela autossuperação, se recusar a aceitar a palavra impossível! Tudo isso e muito mais são características básicas de um Ironman.


Treinar o Alessandro foi ao mesmo tempo desafiador e tenso, pois a todo momento surgiam eventos que o impossibilitava de realizar todos os treinos, cujo prazo já estava curto para uma completa progressão de treinamento. Estava claro para mim (e deixei claro pra ele isso) que com essas ausências as dificuldades dele no Havaí seriam ainda maiores, e foram!  Alessandro viajou para o Havaí com estiramento nos músculos abdominais que movimentam o diafragma, então cada passo da corrida era uma dor insuportável.  A dor era tão forte que Alessandro passou 2 dias no hospital Albert Einstein em SP fazendo todo tipo de exame para descobrir o que estava provocando aquela dor e se estava relacionada a algo mais sério, como o coração. Tudo aconteceu no dia que sua viagem para o Havaí estava marcada. Ao chegar no Havaí Alessandro teve vários compromissos com a TREK o que tirou um pouco também do seu tempo livre de descanso.

 

(um dos compromissos com a TREK)

 

Em uma prova onde o 1º colocado geral pode não suportar a pressão e simplesmente parar pelo excesso de dificuldades, Alessandro completou seu primeiro Ironman do Havaí, considerado o Ironman mais duro do circuito mundial de Ironmans.  

 
Então, pessoal, quaisquer que sejam as dificuldades lembrem-se de que no final o mais importante na vida é Ko Aloha La Ea e os resultados fluirão naturalmente!


A OCE-treine.net está muito orgulhosa do IRONMAN Alessandro Teixeira. 

Parabéns Alessandro!

 

Discurso da atleta Chrissie na cerimônia de encerramento do IronMan Hawaii 2011