03/04/2009 - Contra todas as adversidades, o Team Epic Brazil tem desempenho histór
Daniel Aliperti e
Eduardo Soares conquistam um “top 5” na categoria Máster, numa das
ultramaratonas mais importantes da atualidade, o Cape Epic na África do Sul.
A
prova, disputada em 7 etapas mais um prólogo, teve seu percurso reduzido nesse
ano em mais de 250km em relação a edição de 2008, mas nem por isso deixou de
ser desafiadora e encantadora.
O
percurso teve bem mais MTB do que em 2008, segundo bikers que já participaram
das outras edições. As distancias menores fizeram o ritmo ser mais intenso em alguns
momentos, tornando as provas mais rápidas, porém igualmente desgantantes, para
quem estava competindo de verdade (muita gente vem só para completar).
O
Prólogo foi ótimo, mesmo depois do incêndio na mata, a trilha de percorria o
sopé da famosa Table Mountain, garantiu vistas maravilhosas da bela Cape Town.
A conquista de um 4 lugar na Máster, deixou a dupla bastante empolgada.
Nesse dia, Aliperti já não se sentiu 100% e foi com a boa forma e energia
positiva do Dudu que alcançamos o ótimo resultado.
O
dia mais duro do evento e para o time Epic Brazil, foi a primeira etapa, onde
já relatamos as dificuldades que Daniel Aliperti enfrentou, frente a um
tremendo prego de energia, que acreditamos ter sido causado pelo resquício de
resfriado forte que pegou 2 dias antes de sair do Brasil. Nesse dia, Aliperti
relatou que nunca havia se sentido tão mal em uma prova. Do km 45 até o final,
foi literalmente carregado pelo Dudu, que estava numa forma física excepcional,
graças a sua dedicação, a Deus e ao Hugo Prado Neto!
Mesmo
passando tão mal assim, fomos a melhor dupla brasileira do dia e terminamos a
etapa entre os 10 da Máster. Nosso ritmo infelizmente, ficou uns 35-45 min mais
lento do que tínhamos condição de ter feito, o que nos prejudicou pelo resto da
prova.
Na
segunda etapa a estratégia foi largarem um pouco mais “mansos” e ser bastante
conservadores, especialmente o Danny, que não sabia como seu corpo ia funcionar
depois de ter sofrido tanto na primeira etapa. Felizmente, deu tudo certo e se
posicionaram bem, finalizando em 5 lugar na categoria.
O
dia seguinte parecia ser perfeito para o time, com um circuito mais técnico,
onde a experiência de MTB contava mais do que simplesmente um bom par de pernas
e pulmões. E não deu outra, desde a largada, a dupla voou baixo, passando muito
bem por um morro com chão de pedras soltas onde todos tiveram que empurrar e
carregar sua bike por um bom tempo, seguido por um belo downhill até o primeiro
posto de água. Seguiram bem até o segundo posto, mais ou menos no km 38, quando
ao sair, logo nos primeiros kms, Daniel avisou Dudu que estava sentindo algo
estranho em seu pedivela esquerdo. Continuaram a pedalar e o problema piorava a
cada metro rodado, até que o pedivela se soltou, deixando Danny com apenas o
pedivela direito para pedalar e se equilibrar nas descidas. Tudo teria sido
resolvido com uma chave portátil, se o pedivela SWorks não precisasse de uma
Allen 6 mm longa, que não existe em uma multi ferramenta portátil e a dupla não
havia lembrado de levar consigo. Desespero total. Pediram a dezenas de
corredores que passavam e, claro que ninguém carregava tal ferramenta. Depois
de pedir, pedalar com uma perna, empurrar, correr a pé e descer singletracks
com um pé só apoiado por cerca de 12 km, nosso anjo da guarda mandou um santo
corredor com um pente de chaves Allen em sua mochila de hidratação, que nos
salvou. Calculamos que perdemos entre 25 e 35 minutos nesse perrengue. Mais uma
vez, o relógio foi nosso inimigo, mas a nossa vontade de vencer as adversidades
foi maior do que tudo.
Terminamos
a etapa em 8 lugar, o que não foi tão ruim assim, considerando os problemas
enfrentados. Mais tarde fomos ao Van da equipe Specialized, conversar com
Benno, o máster mecânico do time, que não parou de pedir desculpas, pois eles
haviam revisado o central da bike e reapertado a coroa pequena no dia anterior.
O que ocorreu – o outro mecânico que estava ajudando, Dylan, usou uma chave
Allen que apesar de nova, teve problemas na tempera e ficou com os cantos
arredondados muito rapidamente. Isso dava uma falsa impressão de aperto ao
mecânico, que ao apertar, achava que já estava espanando o parafuso de
alumínio, interno. Por isso o problema, jamais visto e experimentado por outros
proprietários de Epics com tal pedivela.
Essa
explicação e uma nova revisão, asseguraram a dupla que o problema não voltaria
a assombrá-los, o que realmente não aconteceu mais até o fim do evento.
Quarta
etapa – o dia já começou meio estranho, com os batedores de moto, do primeiro
pelotão errando o caminho e fazendo todo mundo rodar 3km a mais pelo centro de
Greyton. Um oficial da corrida disse que a corrida seria re-largada. Mas a
informação não conferiu. Eles simplesmente colocaram o pelotão na rota certa e
deixaram rolar e muitos atletas ficaram confusos, se a prova ia ou não ter uma
segunda largada. Ao perceberem que isso não aconteceria, o Epic Brazil começou
a perseguir as duplas com quem pedalavam todos os dias e os encontraram depois
de uns 5-6km mais ou menos.
Foi
quando formou-se um grande pelotão, onde se revezavam na ponta o Epic Brazil e
Russ de Jaeger da Brasil Soul. Em seu turno, Dudu começou a puxar forte com
Danny colado à sua roda, quando de repente ele resolveu pedalar fora do selim e
ao mover a bike de um lado para o outro bruscamente sprintando a 45km/h, sua
roda tocou a de Daniel que caiu bruscamente, derrubando Russ de Jaeger da
Brasil Soul, que vinha logo atrás. Foi um tombo bem horrível, sobre uma estrada
de chão batido com pedras encrustadas. Que poderia ter resultado em bem mais problemas
do que: Belos arranhões no cotovelo direito, joelho direito e esquerdo, um bar
end de carbono destruído, uma manopla solta, uma alavanca de cambio dianteiro
torta a ponto de impedir o acionamento do mesmo, gancheira de cambio traseiro
empenada e guidão/mesa desalinhados. Mesmo com tudo isso, a dupla voltou a
prova, consertando o que dava e tolerando o que não dava para continuar. A
sensação era muito ruim, como se houvesse um “feitiço” em cima para que tudo
desse errado e isso alimentou o fogo competitivo dos dois para pedalar mais
forte e recuperar o tempo perdido. E foi isso o que aconteceu. Passaram a
Brasil Soul e nunca mais os viram, até a linha de chegada. Chegaram a passar os
americanos da Geo Block, que os passaram no final e terminaram a etapa em 6
lugar. Foi uma espécie de redenção, depois de tantas adversidades, numa etapa
longa e com muitos estradões.
A
quinta etapa de Greyton para Oak Valley foi o começo de uma nova situação. A
equipe acordou animada para virar a pagina dos problemas enfrentados
anteriormente e melhorar seu desempenho.
A
corrida já havia feito vitimas importantes, uma delas na categoria Máster, a
PRAGMA Masters, que eram concorrentes fortíssimos e estava desfalcada, pois um
de seus integrantes adoeceu. A próxima concorrente era a SAND, com quem
encontraram e pedalaram durante a etapa, também teve o infortúnio de
perder um integrante com a clavícula e o braço quebrado, a 15 km da conclusão
do estagio.
O
time Epic estava bem nesse dia, a corrida estava acontecendo sem percalços para
eles e ao passarem pela SAND com seu integrante machucado, perceberam que as
chances de uma excelente colocação eram enormes.
Foi
ao encontrarem os americanos da Block / Geoladders que a coisa ficou bem
interessante, pois um de seus integrantes estava literalmente se arrastando de
cansado e ao ultrapassarem a dupla nos 5km finais, não houve muita reação
imediata.
Foram
os 5km mais legais da prova, pois eram praticamente todos em singletrack, na
fazenda da Oak Valley, que é um lugar especial para mountain bikers. Ao
encostarem em uma dupla sul africana, perguntaram 2 ou 3 vezes – Masters ou
Men? E eles não entendendo, não respondiam. Ao chegarem mais perto, perguntaram
novamente e eles disseram que eram da cat. Men e os deixaram passar.
Danny
disse - Fomos “pisando em ovos”até o final, cruzando a linha em 3 lugar, sendo
anunciados e festejados pelo locutor Mike Mic, que falava sobre a conquista
inédita para o Brasil na cat Máster da Cape Epic. Muito humildes fomos beber
alguma coisa e pegar água e tal, como qualquer corredor, quando um oficial da
corrida se aproximou e disse – Não, vocês devem ir para o Winners Lounge, ali.
Que
chique! Nem acreditávamos. Nós no Winners Lounge!!!! Que é um espaço para os 3
primeiros de cada categoria, com rack de bike, agua, refrigerantes e isotonicos
gelados, esponja e esguicho para se limpar, cadeiras e toalhas. Que honra e que
luxo! Nesse momento a Re Falzoni veio nos entrevistar e todos começaram a
chorar de alegria. Foi muito bacana.
Os
demais brasileiros na prova foram super solidários e correram para pegar mesas
próximas ao pódio, no jantar, onde acontecia a cerimônia de premiação dos
atletas todos os dias.
Foi
uma festa quando subimos ao pódio, tanto pelo locutor que mais uma vez
mencionou o fato inédito do Brasil, quanto pela galera que fez a maior festa. O
pessoal adorou ver a animação e solidariedade dos brazucas!
No
dia seguinte, receberam cumprimentos de todos os lados. O povo curtiu o time
Epic que com sua modéstia, veio crescendo ao longo da prova e mostrou um bom
desempenho a bikers de vários países, especialmente seus principais rivais na
máster – os Belgas da 2 Xtreme Masters e os N.Americanos da Block / Geoladders.
Não dá pra mencionar muito os 2 primeiros, que são ícones intocáveis da
categoria – A dupla da Cyclelab Toyota e os Absa Masters. Eles só andam entre
os 20 da geral......Mesmo estes cumprimentaram o time Epic. Que honra, mais uma
vez.
A
sexta etapa prometia ser palco de mais uma boa perfromance do time. Era a mais
técnica de todas as Cape Epics até hoje. E isso era um prato cheio para o Team
Epic Brazil e suas fantásticas SW Epic.
E
as previsões se concretizaram – o Time Epic Brazil fez mais um pódio em 3º
lugar, chegando em 38º na geral da prova. Foi o melhor desempenho da equipe.
Tiveram até o prazer de pedalar ao lado dos monstros Doug Brown e Barti Bucher,
os Absa Máster,que tinham tido problemas com pneu e corrente e chegaram a ficar
em 3 na prova, recuperando-se e chegando em segundo na etapa, sem perder a
liderança, que seguraram com ainda 7 min de vantagem. Ambos com 48 anos de
idade, são mostra viva que idade não significa prejuízo no desempenho. Eles
voaram baixo todos os dias e sagraram-se campeões da prova na categoria, por
mais um ano.
Outra
festa brasileira no jantar. E a alegria de todos em estar quase completando a
Cape Epic.
A
sétima etapa tradicionalmente larga mais tarde, as 8:30. Alinhados e firmes
para conquistar o que não haviam conquistado em 2008 – terminar a prova em
dupla – o time Epic Brazil saiu com o primeiro pelotão, mas foram logo perdendo
algumas posições. Com o esforço dos dois últimos dias, Daniel estava exausto e
conseguiu apenas completar a etapa, com um tempo mais alto do que normalmente
conseguiriam, mas sem problemas durante o estagio. Ao cruzar a linha, a emoção
tomou conta da dupla, que chorava e comemorava, suas conquistas e a vitoria
sobre tantas adversidades.
NOSSOS
PARABÉNS PARA:
Marcelo
Sampaio e Jayme Alves (Os Mantiqueira/Adriana Nascimento), Eduardo Rocha e
Michel Bogli da Esporte Criança/SCOTT, Juliano e Donga (Pedala Brasil), Mario e
Russell (Brasil Soul), Adriana e Luli (Flower People), Felipe e Rafa (Recycling),
Vinicius, Felipe e Fabiano (Infanti/OCE), Marquinho e Jair (Os Mantiqueira 2),
Pablo e Flavio (Tango e Samba), Alfredo e todos os brasileiros que completaram
a prova.
Um
grande abraço para o Leandro “Tatu”, amigo e voluntario que nos ajudou muito no
posto de água 2, Greg pela simpatia, torcida e por levar minha mala, valeu!,
Cristiano, Ricardo, Paulo Brandão e amigos na prova.
EQUIPAMENTO
O
time destacou o desempenho de seu equipamento durante a prova, principalmente
as espetaculares SWorks Epic que foram claramente a ferramenta certa para
enfrentar as dificuldades impostas por uma ultra maratona de MTB como a Cape
Epic. As suspensões inteligentes, a rigidez do quadro, a leveza, a eficiência
da pedalada, a estabilidade e diversão de pilotagem, foram atributos
repetidamente elogiados pela dupla ao fim de cada etapa.
Os
pneus Specialized Fast Trak LK com carcaça protótipo para 2010 foram perfeitos,
oferecendo tração plena, baixa resistência ao rolamento e não furando, cortando
ou esvaziando ao longo dos 690km percorridos. Os componentes SRAM X.O. foram
incríveis, mesmo no acidente da 4ª etapa, mantiveram o funcionamento. O mesmo
pode ser dito do Shimano XTR, que desempenhou bem e resistiu a um galho que
entrou no cambio traseiro do Dudu, afetando muito pouco seu desempenho. As
rodas Roval Controle SL resistiram a tudo, sem empenar, sempre girando livre e
ajudando nas subidas com sua leveza e nas descidas com sua rigidez. Freios
tiveram à vontade, usando os fantásticos Avid Ultimate/Elixir, para voar na
descida e parar com segurança na hora certa. Os selins Specialized BG
garantiram conforto e proteção contra lesões. As sapatilhas Specialized BG,
foram muito confortáveis e eficientes. Os capacetes SWorks super leves e
ventilados. Os óculos Specialized com lentes Adaptalite, sempre com o tom certo
de lente de acordo com a luminosidade e muito conforto. As luvas Specialized BG
além de confortáveis protegeram bem e não abriram costuras ou deformaram em
nenhum momento.
Outros
equipamentos – Bermudas da VO2MAX foram ótimas. Confortáveis e resistentes,
elas se mostraram dignas de uma Cape Epic por mais uma vez. Os géis energéticos
da GU foram o combustível primário e mantiveram o tanque da dupla cheio por uma
semana de provas. Os isotônicos da GU – GU2O – para as primeiras garrafas de
cada dia.