Ironman 70.3 2008 - Caldeirão de Emoções
A filosofia por trás do triatlo não é difícil de entender. Mas só aqueles que terminam uma prova como esta, sabem do que é feito um Ironman (ou Ironwoman!)
No último dia 14 de setembro, 4 atletas OCE fizeram parte do Ironman 70.3 na praia da Penha, SC. Para quem não conhece a prova, 70.3 é o número de milhas que representa a metade da tradicional prova que nasceu no Havaí. Fernanda Curi e Rafael Triginelli fizeram sua estréia na prova, enquanto Wagner Frederico Araújo buscava o índice para correr o Mundial nos EUA. Já Marcelo Araújo, que treinou forte com o mesmo objetivo, teve que adiar o sonho para 2009, quando foi diagnosticado com uma lesão no menisco, que a principio, parecia ter comprometido toda sua temporada 2008.
Mas contra todas as probabilidades, ele se recuperou em tempo recorde da cirurgia, e em duas semanas estava na Suíça participando do Training Camp OCE, e em cinco semanas, participando do Ironman 70.3.
Os atletas chegaram a Santa Catarina recepcionados por muito frio e chuva. Mas no dia da prova a chuva sucumbiu a um sol maravilhoso, enfeitando o mar da Penha. Às 8 da manhã foi dada a largada para mais de 600 atletas. Na natação em um triatlo, o desafio nem sempre é nadar rápido, mas sim conseguir sair ileso, sem levar chutes e cotoveladas.
E foi assim que Wagner levou seu primeiro golpe: Uma bela cotovelada na cabeça que o fez, literalmente, perder o rumo entre as bóias. A pancada foi tão forte que ele teve que parar de nadar por alguns minutos... Depois de recobrar razoavelmente os sentidos, ele nadou rumo à primeira transição e partiu para a bike. Enquanto isso, Fê e Rafa terminavam sua natação tranqüilos, contando com a famosa “sorte de principiante”. Essa tranqüilidade toda fez com que Fernanda voasse baixo nas primeiras 3 voltas (de 5, num circuito de 18km) da bike, não sendo ultrapassada por ninguém.
Forte e muitíssimo bem preparado, Wagner venceu o acidente da natação e começou a perna de ciclismo sentindo que poderia impor seu ritmo. Foi quando o segundo golpe aconteceu. Com apenas 400 metros de percurso, um pneu furado. “Fiquei alguns segundos parado, pensando comigo mesmo: para que continuar? E sem encontrar resposta, continuei” Conta o atleta.
Terminada a bike, era hora de correr, e aí Wagner estava “em casa”. A modalidade sempre foi seu ponto forte, o que o ajudou a ultrapassar mais de 150 pessoas, fechando a corrida com 1h40. Enquanto isso, Fernanda terminava a bike já bem cansada, se perguntando se conseguiria correr. “Foi difícil, mas no km 10 dei uma recuperada fora do normal, acelerei um pouco. Só pensava em chegar, e já sabia que ia conseguir.” Ela comenta emocionada.
Marcelo, que teve que refazer toda sua estratégia por causa da recuperação do joelho, acertou em cheio: “Preferi poupar-me na bike para correr bem. Para minha surpresa, quase deu para conseguir uma vaga para o mundial, meta que deixaremos para o ano que vem.”
E foi assim que Marcelo, Wagner, Rafael e Fernanda cruzaram a linha de chegada, cada um carregando consigo uma conquista pessoal. Como bem disse o Wagner em seu relato, o valor do atleta não está no lugar que ele ocupa no pódio, e sim em sua capacidade de descobrir sua Ironwill, sua Ironmind.
Nós da equipe OCE só temos a agradecê-los por fazer parte desta família e encarar os desafios com tanta garra e determinação. E em resposta à pergunta do Wagner sobre continuar na prova ou não, aqui vai uma das possíveis respostas, que certamente está dentro de cada um de nós:
“You can quit and no one cares. But you, will always know.” Frase célebre de um dos participantes mais velhos do Ironman do Havaí.
Valeu!
Por Andrea Marcellini